Conselho da OAB decide ouvir advogados sobre porte de arma
Nas próximas semanas, os integrantes da advocacia brasiliense votarão, de forma on-line, se a OAB-DF deve posicionar-se a favor ou contra a proposta que tramita no Congresso.
Os conselheiros tomaram a decisão após o Grupo de Estudos sobre o Porte de Arma para a Advocacia apresentar um relatório em que apoia a matéria. O documento alega que falta isonomia em comparação com juízes e membros do Ministério Público, já que eles têm direito de porte de arma, mas os advogados não.
Segundo o grupo, advogados são ameaçados e até atacados em atos de violência. “Segundo a OAB, de 2016 a 2019, 80 advogados foram assassinados. Apenas em julho de 2018, nove advogados foram mortos em sete estados. Em 28 de outubro de 2020, dois advogados foram mortos a tiros em Goiânia a mando de um fazendeiro porque obtiveram êxito em uma ação de reintegração de posse”, diz trecho do relatório.
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É notório que algumas profissões possuem riscos inerentes ao trabalho desenvolvido, razão pela qual a Lei nº 10.826/2003, garantiu aos Tribunais do Poder Judiciário e Ministério Público, e aos seus servidores, o direito de porte de arma de fogo para defesa pessoal, bem como a Lei Orgânica do Ministério Público (art. 42 da Lei nº 8.625/1993) e Lei Orgânica da Magistratura (art. 33, inciso V, da Lei Complementar nº 35/1979) autorizam os Promotores de Justiça e Magistrados portar armas de fogo, tendo em vista que a audácia dos criminosos é cada vez maior, com números assustadores de atentados contra as vidas destes honrosos servidores públicos.
Neste norte, não se pode olvidar que o exercício da profissão do advogado - Indispensável à administração da Justiça (art. 133 CF/1988) possui os mesmos riscos daquela desenvolvida por Juízes de Direito e Promotores de Justiça, ainda que figurem em polos diversos nas demandas judiciais.
Importante salientar que o art. 6º da Lei nº 8.906/1994 estabelece que “não há hierarquia nem subordinação entre advogados, magistrados e membros do Ministério Público, devendo todos tratar-se com consideração e respeito recíprocos.”.
Neste mesmo sentido, diversos são os julgados dos Tribunais deste país.
Protesto. Registro necessário. Advogado e seu papel. Não há hierarquia nem subordinação entre advogados e magistrados. O advogado exerce seu mister no mesmo plano de igualdade do juiz (Lei nº 8.906 /94, art. 6º )[...] (TRT-2, RECURSO ORDINÁRIO E
M RITO SUMARÍSSIMO RO 15450200290202002 SP 15450-2002- 902-02-00-2)
A Legítima Defesa é justa e necessária.
Relembre alguns casos de advogados assassinados por seus clientes, divulgados pela Imprensa:
Polícia conclui que advogado desaparecido foi morto por cliente - Notícias - R7 Rio de Janeiro
Advogado é morto a tiros, e cliente endividada é suspeita | VEJA (abril.com.br)
Advogado é morto por cliente que suspeitava de golpe (gazetadopovo.com.br)
Gustavo Moura Ferreira
Advogado
OAB/RJ 211.220
Projeto autoriza porte de arma para advogados e outros profissionais em atividade de risco - Notícias - Portal da Câmara dos Deputados (camara.leg.br)


